Você Colunista - Coluna do dia 07/08/2026



A Reforma Tributária já começou. O maior risco agora não é pagar mais tributos. É parar de faturar.

A Reforma Tributária entrou definitivamente na rotina das empresas brasileiras. E quem ainda acredita que as mudanças começam apenas em 2027 pode estar cometendo um erro capaz de interromper completamente suas operações.

Desde 3 de agosto de 2026, as empresas enquadradas no Lucro Real e Lucro Presumido passaram a ser obrigadas a preencher os campos relativos ao IBS e à CBS nos documentos fiscais eletrônicos. A consequência do descumprimento é imediata: a nota fiscal é rejeitada pelo sistema, impedindo faturamento, circulação de mercadorias e prestação regular de serviços.

Essa mudança demonstra que a Reforma Tributária deixou de ser um debate jurídico para se transformar em um desafio operacional.

O verdadeiro risco chama-se "apagão operacional"

Durante anos, quando se falava em Reforma Tributária, a principal preocupação das empresas era o possível aumento da carga tributária.

Hoje, esse não é mais o maior problema.

O risco mais imediato é operacional.

Uma empresa que não consegue emitir nota fiscal simplesmente deixa de vender. O estoque não sai. A logística para, os clientes deixam de receber mercadorias. O fluxo de caixa sofre impacto imediato.

Em outras palavras: o sistema tributário passa a controlar diretamente a capacidade operacional da empresa.

A tecnologia passa a ser parte da estratégia tributária

A adaptação não depende apenas do departamento fiscal.

Ela exige integração entre:

- Tecnologia da Informação (ERP);

- Departamento Fiscal;

- Contabilidade;

- Financeiro;

- Jurídico;

- Compras;

- Comercial.

Não basta conhecer a legislação.

É preciso garantir que o sistema esteja preparado para interpretar corretamente as novas regras: um cadastro incorreto de produtos, uma parametrização inadequada, ou  simplesmente um ERP desatualizado.

Tudo isso pode impedir a emissão da nota fiscal.

A vantagem competitiva pertence a quem começou primeiro

Embora o prazo para o Simples Nacional e o MEI seja apenas janeiro de 2027, as empresas do Lucro Real e Lucro Presumido acabam recebendo uma vantagem estratégica.

Elas serão obrigadas a aprender antes.

Esse período inicial permite:

- corrigir processos;

- treinar equipes;

- testar sistemas;

- identificar falhas;

- construir experiência prática antes da ampliação da obrigatoriedade para os demais regimes.

Na prática, quem investir agora reduzirá significativamente os riscos futuros.

Cinco providências que não podem esperar

- Atualizar o ERP e o emissor de notas fiscais;

- Revisar o cadastro fiscal de produtos e serviços;

- Validar toda a parametrização tributária;

- Realizar testes antes da emissão em ambiente de produção;

- Capacitar as equipes fiscal, contábil e financeira.

Essas ações deixam de ser projetos de melhoria e passam a ser requisitos para manter a operação funcionando.

A Reforma Tributária exige uma nova governança

Na minha avaliação, estamos diante de uma mudança de paradigma.

Durante décadas, o planejamento tributário concentrou esforços em reduzir custos fiscais.

Agora, será igualmente importante garantir que os processos internos estejam preparados para operar dentro do novo ambiente digital criado pela CBS e pelo IBS.

A conformidade fiscal deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a integrar a estratégia operacional das empresas.

Quem enxergar essa transformação apenas como uma alteração legislativa poderá enfrentar dificuldades relevantes.

Quem tratá-la como um projeto de governança, tecnologia e gestão terá muito mais segurança para atravessar esse período de transição.

Na NEWPARADIGMA CONSULTORIA & TREINAMENTO, temos acompanhado diariamente cada ato normativo, cada alteração operacional e cada etapa da implementação da Reforma Tributária. Nosso trabalho vai além da interpretação da legislação: auxiliamos empresas na identificação de riscos, na revisão de processos fiscais e na preparação para um ambiente tributário cada vez mais digital, integrado e automatizado.

A Reforma Tributária já começou.

A pergunta que cada empresa deve responder é simples:

Seu sistema está preparado para continuar faturando amanhã?

 

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Fonte

Reportagem: "Reforma Tributária: fase exige atenção máxima para evitar apagão operacional", Diário do Amazonas, publicada em 05/08/2026.

Artigo produzido por Gilson Aragão

Antônio Gilson Aragão de Carvalho é graduado em Direito, com pós-graduação em Direito Tributário e Gestão Pública, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, além de especialização em Direito Tributário pelo IBET e atualmente professor nessa mesma instituição; Autor e colaborador de renomadas obras jurídicas; Fez carreira na Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará; Professor Universitário; Vice-presidente do Instituto Cearense de Estudos Tributários;

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