Novo programa do governo para renegociação de dívidas prevê 80% de descontos, diz Fazenda
Data: 02/04/2026
O governo pretende estimular a oferta de um "desconto amplo" em um novo programa de renegociação de dívidas, que está em desenvolvimento pelo Executivo. A informação foi apresentada pelo ministro da Fazenda.
"O que nós vamos fazer é incentivar que seja um desconto amplo e, eventualmente, com garantias do governo, caso, feita a renegociação, a pessoa volte a inadimplir com o banco na frente", afirmou o ministro, em entrevista ao programa da jornalista Miriam Leitão, na GloboNews, com exibição prevista para esta noite.
E acrescentou: "Ainda que você negocie 80% de desconto, sobra 20% da dívida a ser refinanciada. Aí o governo pode vir e dizer, bancos, fintechs, operadoras de crédito, renegociem a dívida com desconto amplo, mas deixem aqui uma nova taxa de juros para o que tem que ser refinanciado e o governo faz uma espécie de garantia junto com os bancos".
Nova versão do Desenrola
De acordo com o ministro da Fazenda, a proposta é criar um modelo mais simplificado em comparação ao Desenrola Brasil, que utilizava uma plataforma de negociação em formato de leilão e recebeu crítica relacionadas à dificuldade de acesso por parte dos usuários.
A proposta também deve incluir uma exigência de contrapartida em educação financeira, para reduzir o risco de que famílias, após renegociarem suas dívidas, voltem a comprometer a renda com despesas incompatíveis com sua capacidade de pagamento.
No âmbito do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está em discussão a utilização de um fundo para viabilizar a renegociação de dívidas de famílias em situação de superendividamento, que enfrentam dificuldades para cobrir despesas básicas devido ao alto nível de comprometimento da renda. O tema está entre as prioridades do presidente em ano eleitoral.
Diálogo com os bancos
O governo federal solicitou a representantes do sistema financeiro a apresentação de propostas e cenários para conter o avanço do endividamento das famílias, declarou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
De acordo com Durigan, a equipe econômica permanece em fase inicial de estruturação de um plano e realiza consultas com bancos e entidades do setor antes de definir ações concretas. O processo ainda não tem medidas consolidadas.
"Nós estamos trabalhando nisso, dialogando com os vários ministérios e com alguns setores do sistema financeiro. No momento oportuno, eu volto a falar disso, pois estamos em fase de elaboração do plano ainda", explicou o ministro da Fazenda.
O ministro informou que ocorreu uma reunião inicial com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com foco na análise do cenário atual.
"Foi uma primeira conversa, mais para ouvi-los. Pedi para que a Febraban trouxesse, não só a Febraban, como outros, para que nos trouxessem propostas e cenários. Começamos com um diagnóstico, foi um bom diagnóstico que eles trouxeram de onde está a dívida das pessoas hoje: no cartão de crédito, no cheque especial, a situação dos consignados".
Fonte: Exame
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