CNC: pequenos negócios não têm estrutura financeira para suportar redução da jornada
Data: 08/04/2026
A discussão sobre a possível redução da jornada de trabalho no Brasil tem gerado preocupação entre representantes do setor produtivo, especialmente quanto aos impactos em diferentes regiões e segmentos econômicos.
Durante audiência pública realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, foi destacado que uma alteração legislativa de caráter impositivo pode desconsiderar as particularidades econômicas do país, marcadas por forte diversidade regional e setorial.
Um dos principais pontos levantados diz respeito à realidade das micro e pequenas empresas, que representam grande parte da base do comércio nacional. Essas empresas, em muitos casos, operam com margens reduzidas e menor capacidade de absorver custos adicionais, o que pode comprometer sua sustentabilidade diante de uma eventual redução obrigatória da jornada.
Outro fator relevante é a sazonalidade de determinados setores, como o turismo, que depende de períodos de alta demanda para equilibrar resultados ao longo do ano. A adoção de regras rígidas pode limitar a flexibilidade necessária para atender essas variações.
Também foi ressaltada a importância da negociação coletiva como instrumento mais adequado para tratar o tema, permitindo ajustes conforme as características de cada setor e região, além de reduzir riscos de insegurança jurídica.
No campo do consumo, há preocupação de que mudanças na jornada possam impactar o funcionamento do comércio, especialmente em finais de semana, afetando tanto consumidores quanto trabalhadores.
Além disso, o aumento de custos operacionais pode acelerar processos de automação e incentivar a substituição da mão de obra, o que levanta alertas sobre possíveis reflexos na geração de empregos.
Diante desse cenário, a avaliação predominante entre representantes do setor é de que soluções mais equilibradas passam pelo fortalecimento da negociação coletiva, com parâmetros ajustados à realidade econômica de cada atividade, preservando a competitividade das empresas e a manutenção dos postos de trabalho.
Fonte: Diário do Comércio
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